As projeções demográficas sugerem que, na próxima década, continuará diminuindo a taxa de natalidade, o que resultará em importantes mudanças no perfil da população do nosso planeta. No Brasil, haverá mais gente no mercado e menos dependentes, ou seja, mais pessoas produzindo do que consumindo. Esse cenário é favorável para o Brasil criar de novos programas e projetos para resolver seus problemas estruturais de moradia, saúde, educação, transporte e produção de alimentos sem degradar novas áreas.
O grupo Bric - composto por Brasil, Rússia, Índia e China – continuará crescendo nos próximos anos e provavelmente passará a responder pela maior parte da produção econômica mundial. Dentre esses países, o Brasil é o mais estável economicamente porque não tem movimentos separatistas, não enfrenta conflitos de fronteira, não experimenta problemas étnicos, fala uma única língua e possui um sistema político sólido.
De acordo com as análises do banco de investimentos americano Goldman Sachs, na próxima década o PIB (Produto Interno Bruto – medida da renda nacional que compreende indústria, agropecuária, comércio e serviços, consumo privado, gasto público, investimentos, exportações e importações) brasileiro deverá passar dos atuais US$ 1,7 trilhões para US$ 2,6 trilhões, que poderá representar um aumento de 100% da participação do Brasil no PIB mundial. Essa projeção pauta-se no fato de que o Brasil possui imensuráveis e diversificadas reservas de recursos naturais e já é uma potência na área do agronegócios, na produção de matérias-primas e na prestação de vários serviços especializados.
A partir das bases de dados disponibilizados pelos órgãos de pesquisa (IBGE, MEC/INEP, Profuturo da USP etc.) e divulgados, em parte, pela mídia (ver Revista Época de maio de 2009), verifica-se que as principais tendências do mercado são:
• Com a queda na taxa de natalidade, as pessoas dificilmente serão substituídas e deverão permanecer mais tempo em uma empresa;
• Com o aumento cada vez mais acelerado das inovações tecnológicas no mundo, a tendência de mudança de gerência será muito grande dentro das empresas. Assim, a possibilidade dos profissionais iniciarem, a partir da meia-idade, uma segunda ou terceira carreira será alta;
• Com o acelerado processo de geração de conhecimento novo na “Era da Informação”, a pressão pela atualização profissional ou pela educação continuada é cada vez maior. Já passou o tempo em que o conhecimento adquirido durante quatro ou cinco anos em um curso superior era suficiente para construir uma carreira profissional de 35 anos. Além disso, começaram a surgir as profissões transversais, que cruzam diversos segmentos do saber, exigindo conhecimento acadêmico da área de atuação profissional e força de trabalho complementar para dominar outras áreas;
• Com a recuperação da economia mundial e o avanço tecnológico, aumentará a eficiência e, consequentemente as pessoas irão trabalhar mais. Portanto, para subir e ter sucesso na carreira, o profissional terá que se dedicar cada vez mais, incluindo horas extras e cursos noturnos e de fins de semana. Com outras palavras, a educação continuada fará parte do plano de carreira de qualquer profissional;
• Com as mudanças impostas à paisagem pelos diversos projetos de produção agrícola ou agroindustrial, ou de exploração de recursos naturais, resultando até em mudanças climáticas, de extensas regiões nos vários continentes, aumentará a preocupação com a preservação e recuperação de áreas, envolvendo, sobretudo, as empresas de produção de alimentos e de commodities que terão de se adequar a legislações ambientais cada vez mais exigentes.
Confira as dez profissões de futuro: (fonte: Revista Época)
Gerente de Ecorrelações: Esse profissional será essencial na interação entre as empresas e os consumidores, os grupos ambientais e as agências governamentais porque toda grande empresa deverá ter seus próprios programas ecológicos, seja para cumprir a legislação, seja para aumentar a satisfação do cliente.
Gerente de Educação: Esse profissional ajudará os funcionários a melhorar seus níveis de especialização técnica, dentro dos programas de capacitação corporativa.
Técnico em Simplicidade: Esse profissional será essencial no processo de desburocratização interna e aumento da eficiência nas grandes empresas que desenvolvem vários projetos e atuam em diversos países.
Coordenador de Saúde: Esse profissional promoverá a implantação de programas de avaliação de planos de saúde e de seguro, e cuidará da segurança no trabalho, sobretudo de prevenção de doenças, e, ao mesmo tempo, cuidará dos aspectos essenciais do RH da empresa.
Conselheiro de Aposentadoria: Esse profissional ajudará os funcionários a definirem estratégias de saída da empresa para uma outra rotina de vida.
Gerente de Diversidade: Esse profissional garantirá que nenhuma pessoa ou grupo seja discriminado ou tratado com preconceito por seus colegas ou chefes dentro da empresa.
Historiador Corporativo: Esse profissional será requisitado para resgatar e organizar a história de atuação das empresas, uma vez que as mudanças estão cada vez mais aceleradas.
Diretor de Inovação: Esse profissional responderá pela interação entre as áreas de pesquisa e aplicação da empresa, atuando como um misto de executivo e cientista.
Infobiólogo: Esse profissional irá desenvolver novos medicamentos a partir do uso de informações genéticas.
Gerente de E-Commerce: Esse profissional irá desenvolver e implementar estratégias para vender produtos e serviços pela internet.
Tempo de Duração de uma Carreira
A equação de uma carreira profissional hoje é controlada, de um lado, pela média de expectativa de vida ao nascer e, do outro, pela velocidade de criação, aplicação e difusão de conhecimento novo. Vejamos a sua demonstração.
Há 30 anos um diploma de qualquer curso superior era suficiente para planejar, implementar e gerenciar uma carreira de 35 anos. A informação era repassada lentamente, pois a internet ainda era incipiente e o conhecimento novo gerado pelas universidades e centros de pesquisa restringia-se aos seus domínios endógenos. Os serviços dos Correios (SEDEX e outros) e o programa de intercâmbio de artigos científicos entre as bibliotecas (COMUT) eram os meios de comunicação mais comuns, que, ás vezes, demoravam até 15 dias para entregar uma correspondência do outro lado do Atlântico.
Nessa época, a média de esperança de vida do brasileiro ao nascer era em torno de 66 anos e o programa de aposentadoria dos governos determinava que a “carreira de aposentado” iniciava após 35 de trabalho ou de contribuição previdenciária. Para o jovem que concluía o seu curso de bacharelado com 22 ou 23 anos, começava então a sua carreira que, em condições normais, seria concluída em torno dos 60 anos de idade. A carreira de um profissional bem sucedido era marcada ao final de 10 anos por um cargo de chefia de um departamento; próximo dos 20 anos estava habilitado a concorrer ao cargo de Diretor; e a partir dos 30 anos poderia alcançar a presidência de uma empresa pública ou privada.
As preocupações crescentes com a poluição do ar, dos rios, lagos e mares, com a devastação das florestas, com a destinação do lixo, com a degradação do meio físico decorrente da exploração dos recursos naturais e implantação de projetos agropecuários originaram a política do Desenvolvimento Sustentável. Tais preocupações rapidamente transformaram-se em programas e leis, e passaram a influenciar diretamente na qualidade de vida das pessoas. O resultado foi o aumento da esperança de vida dos brasileiros para 69,1 e 76,7 anos para os homens e mulheres, respectivamente (Fonte: IBGE).
Ao mesmo tempo, cresceram as inovações tecnológicas e a comunicação passou a ser em tempo real, através de redes diversas (WiFi, WiMax e WiMesh), os canais de relacionamento se multiplicaram e a informação começou a trafegar em alta velocidade. Em todas as áreas do saber houve uma explosão de conhecimento novo e as interfaces entre as ciências foram densamente permeadas por profissionais com perfis variados. O preenchimento das interfaces facilitou o cruzamento de conhecimentos de diferentes áreas e inaugurou-se um novo cenário na construção das carreiras, pois ficou mais fácil alcançar as soluções interdisciplinares requeridas por problemas complexos.
A partir de então, as carreiras passaram a absorver:
1) Mudanças significativas nos perfis dos profissionais que começaram a aplicar conhecimentos de várias áreas, além daqueles da sua formação específica;
2) Criação de novas profissões decorrentes da dinâmica do mercado e da mudança no perfil demográfico do planeta devido à queda acentuada do índice de natalidade e aumento da esperança de vida ao nascer;
3) Prazos de validade cada vez menores dos diplomas de cursos de graduação, promovendo a disseminação de programas de educação continuada, sobretudo das universidades corporativas.
Esses aspectos juntos influenciaram a mudança na natureza da carreira, com o profissional chegando cada vez mais cedo no topo da escalada funcional. Uma carreira de 35 anos passou a ser cumprida em 20 anos e os profissionais iniciaram a construção de uma segunda carreira, muitos em outro segmento do mercado. Confira alguns exemplos: Médicos que se envolveram com segurança no trabalho; Advogados que se transformaram em empresários do agronegócios; Cientistas assumiram a carreira de empresário do ensino superior; Engenheiros ocuparam espaços no mercado financeiro; Geólogos entraram na área de perícia ambiental; Técnicos de Laboratório passaram a exercer o gerenciamento de logística etc.
Conclusão, já é possível identificar vários profissionais com currículos de duas carreiras de 25 anos, de três carreiras de 20 anos e até de quatro carreiras de 10 anos. Adriano Silva enfatiza no seu livro, intitulado “E agora, o que é que eu faço ...” , que “os ciclos de vida no mercado estão ficando cada vez mais velozes e, em decorrência, acabando mais cedo”, e aconselha que “o profissional deve investir tudo em uma carreira e depois se dedicar plenamente em outra, sempre com a faceirice, o frio na barriga e o entusiasmo de outrora”.